Por vida, pão, vacina, educação e não à reforma administrativa estudantes e trabalhadores do campo e da cidade se manifestaram em Campo Grande (MS) no dia 29 de Maio (#29M)

30/05/2021 21:55

A manifestação realizada em Campo Grande (MS) foi promovida por organizações estudantis e de trabalhadores da UFMS em parceria com a CUT-MS, movimentos sociais e Frentes e teve como tema "Tire a mão da Educação", mas agregou outras pautas como a luta contra reforma administrativa, a vacina para todos, o auxílio emergencial de R$600 e o Fora Bolsonaro.

 

Foto Andreia Cercarioli - Manifestantes fazem marcha protestando contra o presidente Bolsonaro

 

Neste sábado 29 de Maio (também identificado como #29M) ocorreram manifestações em todo o Brasil por vacinação urgente de toda população contra a Covid-19 pelo SUS, por um auxílio emergencial de no mínimo R$600 para todos e todas que necessitarem, para não passar fome, até que a pandemia Covid-19 esteja controlada, pelo cancelamento da reforma administrativa e das privatizações e pelo fim imediato do governo Bolsonaro. Os motes, ou palavras de ordem, eram “Vacina no Braço! Comida no Prato!”, “Tire as Mãos da Educação”, “Cancela a Reforma Já!” e “Fora Bolsonaro!”. 
Neste sábado 29 de Maio (também identificado como #29M) ocorreram manifestações em todo o Brasil por vacinação urgente de toda população contra a Covid-19 pelo SUS, por um auxílio emergencial de no mínimo R$600 para todos e todas que necessitarem, para não passar fome, até que a pandemia Covid-19 esteja controlada, pelo cancelamento da reforma administrativa e das privatizações e pelo fim imediato do governo Bolsonaro. Os motes, ou palavras de ordem, eram “Vacina no Braço! Comida no Prato!”, “Tire as Mãos da Educação”, “Cancela a Reforma Já!” e “Fora Bolsonaro!”. 
 

Para o secretário geral do SintsepMS e trabalhador da Ebserh, Wesley Goully, “o ato do #29M foi importante porque muitas pessoas que estão insatisfeitas com a atual situação do país e estavam caladas para evitar atos de rua que agravassem a pandemia Covid-19, deram um basta e, tomando todas as precauções sanitárias, foram manifestar por mudança”.  Ainda de acordo com o dirigente, “enquanto a população fica calada e com medo de manifestar, o governo se aproveita para aprovar a retirada de direitos no Congresso Nacional, a exemplo da EC 106 e da reforma administrativa (PEC 32). Não vamos nos calar”.  

 

Foto Andreia Cercarioli - Diretores do SintsepMS (servidores federais) com a Presidente da Fetam-MS/CUT (servidores municipais) e secretária geral da CUT-MS, Dilma Gomes protestam contra a PEC 32/2020, da reforma administrativa

 

Em nível nacional as manifestações foram convocadas pelas Frentes Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, o Fórum das Centrais Sindicais, pelo movimento estudantil e diversos coletivos (grupos organizados que não estão vinculados a um movimento social ou estudantil, nem a sindicatos ou partidos). De acordo com os organizadores foram realizadas em 213 cidades – de norte a sul, em todas as regiões do Brasil – e reuniram aproximadamente 420 mil pessoas. Para a diretora de assuntos jurídicos do SintsepMS, Maria Helena Farias, “a aliança entre trabalhadores do campo e da cidade e estudantes mostrou-se acertada e levou para as ruas nossos protestos contra a aprovação da Reforma Administrativa, dentre outras pautas, que significam o desmonte do Estado Brasileiro”. 

 

No mesmo sentido, a servidora do Ministério da Agricultura e diretora do SintsepMS, Ana Claudia Salomão, destacou a participação de segmentos que não são tradicionalmente grupos “da chamada esquerda” ou de sindicatos ou movimentos sociais. Setores da classe média estavam presentes, demonstrando que a insatisfação com o governo Bolsonaro atualmente já toma conta da maioria da população. 

 

Os organizadores orientaram aos manifestantes que tomassem os cuidados sanitários de biossegurança para diminuir os riscos de disseminação e infecção pelo novo coronavírus. Diferentemente dos atos pró-Bolsonaro, que negam que a Covid-19 seja perigosa e desencorajam os cuidados sanitários, no #29M foi fortemente orientada a utilização de máscaras (do tipo PFF2 ou N95), a higienização das mãos com álcool-gel individual e distância de pelo menos 1,5m entre os manifestantes. No ato de Campo Grande (MS) a própria organização distribuiu máscaras PFF2 e uma equipe de biossegurança circulava entre os manifestantes com borrifadores de álcool para auxiliar a higienizarem as mãos durante a manifestação. O servidor do Incra, João Batista Eudociak, destacou esse aspecto. “Foi um ato onde a vida foi respeitada”, disse. Para João “em meio a pandemia sair às ruas para exigir vacina no braço, comida no prato e Fora Bolsonaro foi um gesto de coragem de todos aqueles que participaram”. 

 

Em Campo Grande (MS) a organização do #29M foi realizada pelo movimento estudantil (UNE e UBES) e os Sindicatos de trabalhadores na UFMS (a Adufms e o SistaMS). A Frente Brasil Popular MS, a CUT-MS e os sindicatos e federações filiados, o MST, o Movimento Negro Unificado, a Frente Fora Bolsonaro MS a juventude de alguns partidos (PT, PCdoB, PDT, PCO e PSTU) se somaram na organização do ato. A maioria dos manifestantes eram estudantes, mas também contou com grande quantidade de trabalhadores de diversas categorias, tais como, servidores públicos federais, estaduais e municipais e do judiciário, trabalhadores nas indústrias da alimentação e do vestuário, eletricitários, trabalhadores rurais, professores, trabalhadores da saúde, dentre outros. Inclusive artistas da música e de artes cênicas fizeram performances que inovaram a forma de comunicação da manifestação. 

 

De acordo com o presidente da CUT-MS, Vilson Gregório, “mais de mil pessoas estiveram presentes, a juventude, os estudantes, as centrais, sindicatos, viemos dar o nosso recado para toda a sociedade que este governo que está aí não tem condições de ficar no poder. Um governo irresponsável, genocida. Nós queremos comida no prato e vacina no braço, queremos emprego, queremos vida, são mais de 450 mil vítimas da COVID-19 e esse governo não compra vacina, fica brincando de governar e a CPI está demonstrando toda esta situação” disse.  

 

O planejamento do #29M de Campo Grande previa a concentração nas imediações do pontilhão de acesso ao estádio Morenão, passeata pela Av. Costa e Silva e acesso à UFMS pelo portal da Cidade Universitária, passando em frente à reitoria e encerramento em frente ao monumento do paliteiro. Entretanto, a direção da UFMS não abriu os portões da Universidade no sábado pela manhã, como é de costume, impedindo que os estudantes e manifestantes tivessem acesso. Por isso, a manifestação foi encerrada, simbolicamente, em frente ao portal fechado da Cidade Universitária da UFMS.  Os manifestantes colocaram cruzes no canteiro, como forma de denúncia das mais de 460 mil mortes por Covid-19 no Brasil até o momento (estima-se que mais da metade seriam evitadas se não fosse a ação premeditada do governo Bolsonaro) e do desmonte dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores realizado pelo governo Bolsonaro e o Congresso Nacional, ajudados pelo poder judiciário, governadores e prefeitos.  

 

O SintsepMS, a Condsef e a Cntss estiveram presentes no #29M de Campo Grande (MS) através de diretores/as e sindicalizados/as que marcharam com os demais manifestantes, agregando a pauta da luta contra a PEC 32/2020 através uma faixa do Cancela A Reforma Já! A atividade foi muito significativa e motivadora. Durante o próprio ato já começaram a se articular para realizar novas manifestações. Para Adilson dos Santos, servidor do Ministério da Agricultura e diretor do SintsepMS e da Condsef, “o ato #29M demonstra que o povo está começando a se movimentar para dar um basta ao descalabro que é o governo Bolsonaro. Os trabalhadores no serviço público estão sendo atacados cotidianamente por este governo e ameaçados pela PEC 32/2020 e precisam se somar às demais categorias. Foi significativo que sindicalizados/as do SintsepMS em diferentes órgãos estivessem presentes neste dia de luta. Em Campo Grande/MS participaram servidores da Ebserh, da Funasa, do Ibama, do Incra, do Ministério da Agricultura e do Ministério da Saúde sem contar a solidariedade de servidores do Exército, da Funai, do Inss e do Iphan que não puderam estar presentes.” 

 

Novas manifestações devem ocorrer nos próximos dias e meses. É fundamental que os trabalhadores de diferentes categorias consigam unificar suas bandeiras de luta e a mobilização cresça para barrar os retrocessos.